REFLEXÕES SOBRE O COTIDIANO SOCIAL, POLÍTICO E DE COSTUMES DA CIDADE EM QUE VIVO (ESPLANADA) COM EXTENSÃO A OUTRAS REALIDADES E O TRATO FILOSÓFICO E HISTÓRICO DO QUE É HUMANO NO PARTICULAR E NO UNIVERSAL.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
Amor ´Perplexo
Como a gente se repete
nas palavras
nos gestos
nas atitudes
enfim, um padrão
Ele é nefasto
Por que não conseguimos romper com ele?
Romper com um padrão significa
romper com você
com o costume
com o conhecidoi
como confortável
E eu tenho medo
Medo de mais uma vez
não aguentar ficar longe
Um amor é uma droga
causa dependência
não tem diferença alguma
Você chora
Confunde suas necessidades
de fome, de sede
gera confusão
Mas as vezes
temos que atravessar
essa noite escura da alma
pra que nos libertemos de nós mesmos
Então fantasio ir embora
mas falta coragem
coragem de estar só
sem ilusões românticas
e de pretensas parcerias profundas com o ser amado
Ari, O Iconoclasta
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
TUDO MUNDO TEM SEU PREÇO NA MODERNIDADE
A venda da virgindade de Catarina Migliorini
é o paroxismo de um fato
de que tudo está a venda
nesses tempos onde o dinheiro compra tudo
Existem prostituições mais sutis
concessões ideológicas justificáveis
por uma lógica pragmática e interesseira
Por exemplo, que importa se um prefeito
me oferece vantagens para eu e minha família
e bota pra lascar no resta da comunidade?
Então porque se escandalizar
quando uma adolescente num jogo de marketing eficiente
coloca sua virgindade à venda?
Melhor que perdê-la para um mauricinho qualquer numa balada da vida
pra depois o idiota se gabar entre os colegas
Agora ela vai posar pra plaboy
e ganhar mais dinheiro ainda
A virgindade ainda é um tabu
nestas terras tupiniquins
em outros países o hímen é retirado
logo que a criança nasce
Assim Catarina se revelou uma marketeira de primeira
do seu próprio corpo
Sensualidade é sua mercadoria
nessa sociedade onde a nudez ainda é um tabu
tanto que ela é vendida por milhões em revistas masculinas
É paradoxal que uma sociedade que banalizou o sexo e o prazer
tenha uma indústria da nudez que rende milhões.
Mas fica uma lição
estamos cada vez mais achando natural nos ver
como coisas
Foi isso que Catarina Migliorini fez
Por isso ela não escandaliza
ela é hipermoderna
sem culpa
sem medo
sem vergonha
sem sentimentos
mas com muito dinheiro no bolso
isso é o que importa.
Ari, O Iconoclasta
terça-feira, 6 de novembro de 2012
VOCE SABE QUEM EU SOU?
Quanta saudade da frase
"Se você pretende saber quem eu sou"
da música Estrada de Santos de Roberto Carlos
Reparem que se pergunta pela pessoa.
Muitos intelectuais disseram que Jovem Guarda era alienante
Endeusavam a Tropicália como forma de resistência cultural e política
e compositores do porte de Chico Buarque ou Gonzaguinha
Eu ouso dizer que a Jovem Guarda em muitos do
s seus pressupostos
estava além do seu tempo
Há algo mais politizado e moderno
do que se perguntar pela "pessoa"?
O Eu, suas idiosincrasias e escolhas
são mais importantes que qualquer sistema
Minha saudade dessa época se acentua mais ainda
quando lembro da recente indústria automobilística impondo uma cultura
impondo alguns "valores"
a velocidade, o amor perdido, a liberdade e a irreverência
eles pairavam sobre universo motorizado tupiniquim
Enquanto hoje
um estilo musical simplificado, repetitivo e de melodia previsíveis
reverencia a compra e o uso de uma doblô
Silvano Sales, o Rei do Arrocha
diz que a Doblô é "o carro da balada, o carro do amor"
reproduzindo o hedonismo moderno
onde as pessoas são coisas, objetos de prazer
mercadorias como o próprio carro
elas se tocam como coisas e não como pessoas
hipnotizados pela cultura consumista da propaganda
onde os valores estão nos produtos da indústria
e não nas pessoas
A doblô em tese uma carro de "família"
virou um motel "pra 7 mina"
Ah! como teu saudade dos "anos de chumbo" como catalisador de criatividades artísticas
Eu sei é uma heresia política
Para muitos até repugnante só de se pensar
Mas quando vejo esse "movimento" ocupando todos os espaços da mídia
Da dó de ver
A doblô é um carro carro
carro de classe média pra cima
então viva o arrocha
ele como o futebol
faz desaparecer magicamente num lance lindo
no movimento frenético de quadris
dentro de um carro de "família"
as insanáveis desigualdades sociais
e a profunda alienação ideológica de um povo
Ari, O Iconoclasta
estava além do seu tempo
Há algo mais politizado e moderno
do que se perguntar pela "pessoa"?
O Eu, suas idiosincrasias e escolhas
são mais importantes que qualquer sistema
Minha saudade dessa época se acentua mais ainda
quando lembro da recente indústria automobilística impondo uma cultura
impondo alguns "valores"
a velocidade, o amor perdido, a liberdade e a irreverência
eles pairavam sobre universo motorizado tupiniquim
Enquanto hoje
um estilo musical simplificado, repetitivo e de melodia previsíveis
reverencia a compra e o uso de uma doblô
Silvano Sales, o Rei do Arrocha
diz que a Doblô é "o carro da balada, o carro do amor"
reproduzindo o hedonismo moderno
onde as pessoas são coisas, objetos de prazer
mercadorias como o próprio carro
elas se tocam como coisas e não como pessoas
hipnotizados pela cultura consumista da propaganda
onde os valores estão nos produtos da indústria
e não nas pessoas
A doblô em tese uma carro de "família"
virou um motel "pra 7 mina"
Ah! como teu saudade dos "anos de chumbo" como catalisador de criatividades artísticas
Eu sei é uma heresia política
Para muitos até repugnante só de se pensar
Mas quando vejo esse "movimento" ocupando todos os espaços da mídia
Da dó de ver
A doblô é um carro carro
carro de classe média pra cima
então viva o arrocha
ele como o futebol
faz desaparecer magicamente num lance lindo
no movimento frenético de quadris
dentro de um carro de "família"
as insanáveis desigualdades sociais
e a profunda alienação ideológica de um povo
Ari, O Iconoclasta
MULHERES E CARROS
Eles amanhecem o dia
retirando carinhosamente a neblina do pára-brisa dos seus carros
É uma relação de amor
Mais tarde
Com o fundo do carro aberto
embalados por hits pops, românticos ou pérolas do pagode e do axé music
eles lavam religiosamente os tapetes da coisa amada
Melhor amar os carros que suas mulheres
...Afinal, se frear ou virar o volante pra qualquer lado
o carro obedece docilmente
já as mulheres...
Elas têm vontade própria, são manipuladores e imprevisíveis
O carro não
É confortável e dá sensação de onipotência quando estamos ao seu volante
Já as mulheres expõem nossas fragilidades, nossos medos
e manipulam nossas culpas
melhor então amar os carros
Algumas até dizem
"mulher é artigo de luxo"
Se apropriam do machismo inseguro
pra manifestarem seu consumismo
parece que o mercado capitalista e suas variedades
tem uma relação de amor com as mulheres
O carro e a mulher
acabem virando "coisas"
foi isso que o fetiche do consumo fêz
nos transformou em coisas
se relacionando entre coisas
e comprando coisas
onde estão as pessoas?
Ari, O Iconoclasta
o carro obedece docilmente
já as mulheres...
Elas têm vontade própria, são manipuladores e imprevisíveis
O carro não
É confortável e dá sensação de onipotência quando estamos ao seu volante
Já as mulheres expõem nossas fragilidades, nossos medos
e manipulam nossas culpas
melhor então amar os carros
Algumas até dizem
"mulher é artigo de luxo"
Se apropriam do machismo inseguro
pra manifestarem seu consumismo
parece que o mercado capitalista e suas variedades
tem uma relação de amor com as mulheres
O carro e a mulher
acabem virando "coisas"
foi isso que o fetiche do consumo fêz
nos transformou em coisas
se relacionando entre coisas
e comprando coisas
onde estão as pessoas?
Ari, O Iconoclasta
CHUVA NAS MALVINAS
Não se pode chover
no meu local de trabalho
Alunos e professores
...quase todos acham normal
o lamaçal defronte a escola
as pingueiras aumentam
a cada chuva
Conseguimos lidar
com relativa tranquilidade
com a tampa da fossa
na iminência
de se abrir e engolir uma criança
como um monstro de contos de fada noturno
O forro da secretaria
vez em quando cai ruidosamente
sobre nossas cabeças
Nada que mais absorvível
do que um susto momentâneo no local de trabalho.
A tampa do tanque
rente ao chão
apesar de ferro e pesada
não tem tranca
um convite as crianças
que podem se afundar e jamais voltarem
de um devaneio curioso
É também convite pra sabotagens irresponsáveis
de alunos ou qualquer adulto mal intencionado
As salas numa penumbra permanente
são um convite a subserviência
ao analfabetismo político
lembrado pelo genial Brecht
e a aceitação da passividade profissional e ideológica
Os alunos aprendem rapidamente essa lição.
Mas tudo isso é amenizado
afinal, a escola tem nome de Santa
Nossa Senhora Aparecida
Uma intrusa no espaço que deveria
da luz do conhecimento
e não da irracionalidade da fé conformista
defendida
por um candidato consegue fazer a mistura
bizarra, estranha e hipócrita
do politico, do beato e do cidadão de bem.
Eu aqui
na minha perplexidade criativa
contínuo bradando de forma autoterapêutica
pra ouvintes desinteressados
afinal,
desde que o mundo é mundo
a corrupção, a mentira e o conformismo se intauraram
e ninguém é melhor que ninguém.
É assim que fala todos os conservadores
os conspiradores da continuidade
pra justificar sua apatia covarde
e suas "vantagens espúrias".
Ari, Ari O Arivaldo
o lamaçal defronte a escola
as pingueiras aumentam
a cada chuva
Conseguimos lidar
com relativa tranquilidade
com a tampa da fossa
na iminência
de se abrir e engolir uma criança
como um monstro de contos de fada noturno
O forro da secretaria
vez em quando cai ruidosamente
sobre nossas cabeças
Nada que mais absorvível
do que um susto momentâneo no local de trabalho.
A tampa do tanque
rente ao chão
apesar de ferro e pesada
não tem tranca
um convite as crianças
que podem se afundar e jamais voltarem
de um devaneio curioso
É também convite pra sabotagens irresponsáveis
de alunos ou qualquer adulto mal intencionado
As salas numa penumbra permanente
são um convite a subserviência
ao analfabetismo político
lembrado pelo genial Brecht
e a aceitação da passividade profissional e ideológica
Os alunos aprendem rapidamente essa lição.
Mas tudo isso é amenizado
afinal, a escola tem nome de Santa
Nossa Senhora Aparecida
Uma intrusa no espaço que deveria
da luz do conhecimento
e não da irracionalidade da fé conformista
defendida
por um candidato consegue fazer a mistura
bizarra, estranha e hipócrita
do politico, do beato e do cidadão de bem.
Eu aqui
na minha perplexidade criativa
contínuo bradando de forma autoterapêutica
pra ouvintes desinteressados
afinal,
desde que o mundo é mundo
a corrupção, a mentira e o conformismo se intauraram
e ninguém é melhor que ninguém.
É assim que fala todos os conservadores
os conspiradores da continuidade
pra justificar sua apatia covarde
e suas "vantagens espúrias".
Ari, Ari O Arivaldo
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
OS SENTIDOS E A SAUDADE
Às vezes em atos cotidianos
nos vemos lembrando de alguém
eles, nos envolvem em saudades.
O tato, o olfato e o olhar vez em quando
são atingidos por estímulos
que nos reporta a lembrança de um ente querido.
Quando estou lidando com sal,
cominho, coentro e alho
fazendo um tempero caseiro
ou mesmo tratando um peixe
de imediato minha memória afetiva
me traz a lembrança da minha mãe
Seu sorriso maroto invade minhas lembranças.
A criança dentro daquela senhora
esteve sempre presente
Sua irreprimível gula lhe dava tanto prazer
que nos constrangia reprimí-la
Seus olhos brilhavam de alegria
e gemidos prazerosos embalavam
sua refeições prediletas.
Sinto saudade de você minha mãe
Gostava do seu despudor inocente
Inda me lembro dos gemidos de dor
provocados pela artrose
exacerbada pelo seus "quilinhos a mais"
Banhos de cuia no quintal
Andar na praia, tomar banho de mar
ou comer um marisco
me fazem sempre lembrar de você minha mãe.
Quando você se foi
parte de mim foi contigo
Tenho a esperança de vê-la ainda
Mas agora além dos sentidos
Quero comunhão com sua alma magnânima
nesse ou em outro plano
Dentro ou fora do círculo do tempo
Recorro a audição...
e se nunca lhe disse
entre lágrimas
agora lhe digo:
- Eu te amo, minha mãe!
saudades imensas
do seu filho
entre os muitos que teve
a quem se referia carinhosamente dizendo:
- Esse é o que mais parece comigo!.
Ari, O Iconoclasta.
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