quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O QUE DEUS DEU O DIABO NÃO TOMA

Dois pensamentos políticos têm se enfrentado nos últimos 20 anos em Esplanada. Os dois representantes praticamente começaram juntos sua vida pública.
Um de formação universitária, representante do pensamento laico, com grande desejo de concentração de patrimônio, incapaz até então de formar um grupo dominante, tendo sua própria família como base, por leitura errada do eleitorado local, achando que apenas o mero assistencialismo para as classes desfavorecidas o manteria no poder.
O outro de origem humilde, representante do pensamento religioso, com grande desejo de afirmação social e econômica, jamais freqüentou a “academia”, mas com grande esperteza percebeu que manutenção no poder de um, grupo dominante passaria principalmente, pelo atendimento dos interesses dos setores médios da população, da classe comercial e dos “senhores da terra”, os quais, com relativo poder de consumo dependem da prefeitura local para geração de renda.
O primeiro sem dar assistência a seus fiéis eleitores e sem encontrar meios de fazer crescer sua força eleitoral, continuou por oito anos seguidos a fazer visitas temporárias a cada dois anos, ora para eleições legislativas, ora para a eleição do executivo local, insinuando assim, um comportamento descompromissado com os eleitores locais.
O segundo, além de desenvolver um projeto político-eleitoral para longo prazo, baseado no profissionalismo e no marketing, possuía o toque religioso que o legitimava politicamente. Estimulou com conveniência, o velho e bom maniqueísmo, a mitológica e eterna luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Assim, o resumo do pensamento eleitoral, a seguir relatado, se espalhou pela população.
Uma eleitora no dia da eleição passando numa rua e questionada a respeito do seu voto, sem pensar disse: - “O que Deus deu o diabo não toma!”. Ora caro leitor: Quem é o diabo? O que Deus deu? E a quem? A resposta é clara.
Não sabendo a “pobre” eleitora que nem Um é divino nem o Outro é diabólico. Ambos são apenas humanos. Não é Deus que dá poder as pessoas e sim o povo (ela mesma) através do seu voto. Mas convenientemente ou enganadamente, deu ao seu voto um ar de providência divina.
A idéia do apóstolo Paulo de que todo o poder vem de Deus, é questionável. (ou será que discordar do apostolo Paulo é heresia?) Existem heresias sendo praticadas e as pessoas não estão percebendo ou fazendo “vista grossa”. Jesus quando tentado o que a ele foi dito? “Tudo isso te darei, se prostrado me adorares!”. Referia-se o tentador a que tipo de poder? O político. Como explicar então a ambição pelo poder temporal do setor religioso da população?
O poder político vem da imposição das idéias, da visão de mundo daqueles que nos dominam. Tem origem na família, na escola, no ambiente de trabalho, etc., da leitura que temos do mundo, das propostas de condução da coisa pública, portando, é totalmente mundano e humano.
O poder de Deus é espiritual – que só se apresenta ao verdadeiro crente capaz de se despir de todos os “poderes” que cultiva. O poder político é fruto do ego, da vaidade, da necessidade de justificar a exploração e o domínio do homem sobre o homem. E nada há de divino nisso!
Desse modo, usando o pensamento religioso cristão, criou sua base ideológica, culminando com a construção de uma estátua do Cristo (monumental, para nossos padrões locais), alicerçando-se como referência de político de origem religiosa e com apelos humanistas.
Coerente com este pensamento, alçou a vida pública seu sucessor que atendia duplamente aos seus interesses: o executivo local continuaria com a costumeira aura de catolicismo, além de ser alguém, de profunda confiança que pertencia convenientemente ao seu universo familiar. Deixou assim, os políticos “prefeituráveis” que buscavam seu apoio para sua sucessão, literalmente “a ver navios”.
Estamos todos nós aqui eleitores, na expectativa que o exercício do poder executivo e legislativo locais, traga ares de modernidade e respeito as reais necessidades de uma população carente de serviços públicos de qualidade e da realização do potencial que nossa cidade tem de ser tornar uma verdadeira capital regional.
PROFESSOR ARI
O PÚBLICO E O PRIVADO
A democracia e uma forma de convivência entre as pessoas, onde determinado grupo, através de votos e impostos, administra a “coisa” pública.
Com o fim do absolutismo e a imposição da democracia burguesa, se estabeleceu a proposta constitucionalista. Não mais o rei vai administrar, julgar e legislar. Um governo eleito pelo povo será responsável pelo executivo, um corpo de juízes executará a lei e uma câmara fará a legislação em todos os níveis do poder.
É neste momento que o cidadão que elegeu seu representante através do sufrágio universal, ou seja, todo cidadão independente de cor, religião, renda, classe social ou ideologia etc., terá o sacro santo direito de eleger seu candidato para representá-lo na administração do estado, que é sustentado com os recursos vindos dos impostos descontados da renda dos cidadãos. (Leia-se empresários e trabalhadores).
Portanto, qualquer cidadão dentro do regime democrático pode livremente emitir sua opinião, elogiando quando acertar e criticando quando errar, aqueles que foram eleitos para administrar o que é público.
Quando o indivíduo se coloca como representante do que é público, tem que estar preparado para não transformar críticas e/ou elogios que recebe como algo pessoal. Quando um cidadão critica seus representantes não está criticando a pessoa, o indivíduo, o ser humano, sua subjetividade inviolável. Sua vida pessoa, orientação sexual, ou qualquer coisa da sua vida privada, deve ser deixada de lado, deste que não atinja o que público e que não conspire contra os direitos do povo. O cidadão tem o direito constitucional de manifestar sua opinião a favor ou contra, a qualquer um, que detenha em suas mãos, os votos e os impostos do povo.
As críticas feitas de forma respeitosa e democrática devem ser bem vindas para qualquer governante. Muito mais perigoso para um governante é o galanteio, o elogio falso, daqueles que só querem receber os favores de quem administra a “coisa” pública. Aquele tem a vocação, por ignorância ou opção, de aderir acriticamente a quem o governa, pode desvirtuar qualquer governante. Dão a quem governa uma ilusão de consenso e harmonia entre o povo e o governante, que é totalmente mentirosa e enganosa.
Revanchismos gratuitos e perseguições imbecis e autoritárias, já não cabem no mundo de hoje. Assim como o povo deve respeitar as leis da Constituição burguesa, também, quem foi eleito para administrar o estado deve respeitar qualquer cidadão que manifesta livremente o soberano e livre direito de livre expressão, dentro da regra do jogo democrático burguês. Quem não for capaz de respeitar a Constituição, não se coloque jamais na condição de representante daquilo que pertence ao povo, que transfere para a entidade chamada estado, seus votos e seus impostos.
Um estadista sábio ouve as críticas que lhe são feitas. Elas podem servir de timão, de direção, até mesmo para o próprio governante que quer se perpetuar no poder que tanto ama. Dizem por aí que: “Eu amo Esplanada!”.
Este grupo político dominante atualmente em Esplanada, começar agora a completar, através do Sr. Diolando, um ciclo de doze anos, está incorrendo num erro comum daquele que têm sucesso naquilo que se propõe fazer. Afinal, vencer uma eleição, no princípio sem nenhum recurso, ganhar o secundo mandado consecutivo, e ainda fazer um sucessor que não tinha nenhuma trajetória política, é uma obra eleitoreira grandiosa. Porém, o orgulho, a jactância, a vaidade e a subestimação dos adversários políticos, pode se tornar um erro difícil de consertar, e o projeto de domínio político de Esplanada poderá cair por água abaixo.
Um consenso democrático se constrói com efetiva divisão social da renda, para as classes mais carentes, para a classe média rural e urbana, que junto com os trabalhadores, são os que dinamizam a economia. Manipular pagamento de fornecedores, oferecer cestas básicas através dos meios de comunicação, dizer que com ações medíocres está ajudando a acabar com a fome dos “pequeninos”, poderá não servir para criar o consenso necessário para a manutenção deste grupo no poder de Esplanada.
Um grupo que manipula até mesmo seus eleitores que têm mais renda e são mais esclarecidos politicamente, pode estar esgotando este modelo perverso de administração. Apesar de levemente superior, ao seu principalmente adversário eleitoral, este grupo possui defeitos estruturais gravíssimos que a sociedade civil esplanadense pode não mais aturar e propor tranquilamente o descarte do poder deste grupo e propor algo totalmente novo!
Parafraseando uma música de campanha filantrópica da década de 80 que a rede “BOBO” tanto tocou: “DEPENDE DE NÓS!”
Professor Ari, o Iconoclasta (enviar comentários democraticamente a favor ou contra para o Orkut e Email: arivaldodesouzadanta101@gmail.com)

O MAU USO DO MEU VOTO


A sociedade brasileira deu um salto qualitativo com o fim da ditadura militar. A instauração da jovem e imatura democracia burguesa brasileira foi uma vitória significativa a caminho de um Brasil mais justo. Porém, a democracia burguesa brasileira é imperfeita e imatura em vários aspectos.
Hoje desfrutamos de total liberdade de expressão política. A democracia política é um fato. Porém, no aspecto econômico a tirania continua. As riquezas produzidas no país são apropriadas por uma minoria. Depois de praticamente de dois mandados consecutivos do Partido dos Trabalhadores no governo federal, ouvimos a frase terrível do atual presidente Lula em que diz que o capital financeiro e industrial nunca teve tanto lucro como na sua gestão. Isto demonstra o modelo neoliberal e concentrador de renda que o PT reproduziu inspirado na obediência cega ao Plano Real instaurado pelo PSDB há mais de 10 anos.
Devido a questão cultural que permite a continuidade do ranço autoritário e o modelo legislativo que concentra muito poderes no executivo, tivemos um incidente local, que demonstra que o grupo dominante político que agora culmina da gestão do Sr. Diolando, prestou um desserviço a democracia e precisa repensar a sua atuação para não ficar parecido com o estilo do seu principal adversário que foi derrotado várias vezes em campanhas eleitorais.
A forma vertical, autoritária, antiética e anti-profissional com que o diretor do Colégio Antonio Carlos Magalhães foi exonerado, contradiz o discurso oficial de real preocupação com os baixos índices de aproveitamento do IDEB (índice de desenvolvimento da educação básica) do município, em especial do ACM, cujo aproveitamento individual foi o pior de toda rede de ensino.
Sem prévio aviso nem ao profissional concursado e nem tampouco a comunidade escolar do ACM, o prefeito surpreendeu a todos com o decreto que o exonerava.
Os professores, alunos e funcionários do ACM, não querem saber dos bastidores dos acordos político-eleitoral do grupo do prefeito com o PT que resultaram que resultaram na colocação de um dos seus filiados na direção do ACM. É uma prerrogativa que o jogo político permite ao poder executivo. O problema, é que a forma correta e cavalheiresca, seria com o prévio aviso de que o cargo devia ser entregue de volta e fazer uma transição com o próprio ex-diretor apresentando a comunidade escolar o novo dono do cargo e também o colocando a par dos trabalhos administrativos próprios desta função.
Esta forma desastrosa e desrespeitosa de conduzir a transição da diretoria do colégio causou transtorno aos alunos, chegando alguns a derrubar cadeiras nas salas de aula surpreendidos, por encontrarem o colégio acéfalo. Os professores também atônitos e surpresos resolveram elaborar uma carta − divulgada na rádio local pelos mesmos − de repúdio ao gesto do prefeito, que desta forma impôs a interrupção dos trabalhos letivos e burocráticos fazendo com que alunos do turno matutino fossem até a frente da prefeitura fazer uma manifestação.
O que causa preocupação é quando um governante e um grupo que professam como cidadãos o cristianismo e pregam a democracia, tratam assim a alguém que faz parte do seu próprio universo. Imagine de que forma podem tratar o povo.
Os detentores de cargo na atual gestão devem estar atentos. Como disse Jesus em relação aos apóstolos que dormiam: “Vigiai e Orai!”. Isto quer dizer, que qualquer um e em qualquer momento pode ser surpreendido com gesto como este da atual administração.
Os cidadãos de Esplanada estão a atentos e vão lutar para HUMANIZAR − como disse um candidato derrotado nas últimas eleições − as relações entre o poder executivo, judiciário e legislativo com o povo, que com seus impostos e votos elegeram seus representantes no estado dos ricos na esfera municipal, estadual e federal.
PROFESSOR ARI, O Iconoclasta (Esplanada, 21 de Agosto de 2009, às 20:14 horas)

O MARKETING DA FOME



Na Antiga Roma, os imperadores usavam a política do pão e do circo, a chamada “pannis et circenses”. Esta política tinha a função de diminuir a tensão social provocada pela massa desempregada e sem perspectiva que habitava a cidade. “Presenteava” pão e diversão na arena com lutas sangrentas entre escravos gladiadores até a morte, para o deleite perverso da elite e dos párias que freqüentavam o Coliseu.
Com o advento do cristianismo, os próprios cristãos eram lançados às feras nos estádios romanos. Hoje os cristãos flertam com os imperadores modernos. Deixaram de ser jogados as feras e se transformaram em amigos íntimos do poder. OS CRISTÃOS SAÍRAM DA ARENA E FORAM PARA A ARQUIBANCADA!.
Os tempos passaram e modernamente “inventamos” uma “nova” maneira de fazer a política do pão e do circo. Em nossa cidade uma prática perversa tem sido praticada. Durante um programa de rádio financiado pela prefeitura, as pessoas carentes se dirigem a tal programa e pedem o que precisam e usando os microfones pedem cestas básicas, material de construção, carrinhos-de-mão, etc. Até aí tudo bem. Mas porque não fazer isto de forma anônima? Por que o programa não divulga diariamente seus patrocinadores, da prefeitura, empresas e ao mais humilde cidadão, e quando algo for dado, ninguém saber quem deu? O quadro de orientação filantrópica teria patrocinadores anunciados, mas não qual deles deu aquele bem, serviço ou favor. Em vez disto, o dito filantropo é anunciado como bom samaritano e tem seu nome e o do seu negócio divulgado.
Como se pode chamar de filantropia o gesto de doar que serve de propaganda de lojas, prestadores de serviços, vereadores e até o próprio prefeito? Frequentemente o prefeito tem dado cestas básicas na condição apenas de cidadão! Fazia o mesmo quando era o fabricante de móveis? Deixava de ser empresário e ia pra rádio doar uma cesta básica, apenas na condição de cidadão? Por que o faz agora?
Como cidadão eleito para dirigir o estado municipal é capaz de colocar de lado o diploma de prefeito e doar uma cesta básica num programa de rádio, dizendo o que o faz na condição de Cidadão comum? Como separar estas duas condições? O ser humano é um ser total! Não pode se dividir como se fosse dois ou mais!! Atitude típica de um governo tampão e sem compromisso com as reais necessidades do povo.
Com este gesto não está ele dizendo ser incapaz de desenvolver uma política emergencial para aplacar a fome dos “pequeninos”, como ele mesmo chama os filhos dos pobres de Esplanada? Vejam a ironia! “pequeninos”, era a forma de Jesus se dirigir às crianças.
Porque o faz, justamente quando foi colocado numa função pública para resolver este problema. A promessa de acabar com a miséria só interessa para o político, no período eleitoral. Durante a campanha é capaz de dizer que resolverá o problema em pouco tempo. Depois, legitimado no poder através do voto conquistado com promessas mentirosas, a fome vira um problema estrutural e difícil de resolver. Atesta seus limites e divulga a miséria que foi eleito para minimizar e tenta dividir o problema social com empresários, cidadãos e outros políticos. É isto que ele insinua, quando se despe da condição de prefeito e anuncia aos quatro ventos num programa de rádio que está dando uma cesta básica na condição apenas de simples cidadão. É uma espécie de culpa social: ”Eu lhes dou privilégios – elite de esplanada – com os recursos que seriam para o povo. Portanto, dividam comigo este encargo!” Amém!!
Uma prefeitura para ser governada de maneira sábia terá que ser enxuta do excesso de privilégios de terminadas famílias que têm concursados, cargos de confiança, cargos comissionados, carros alugados, bolsas universitárias etc. formam verdadeiras oligarquias familiares dentro do poder publico. São como polvo que com seus muitos tentáculos se apropria da sua presa. Assim é que fazem com a prefeitura, com estado e com a esfera federal.
Como chamar de “GOVERNO DO POVO”, “POVO NO PODER”, o governo de um grupo que teima em concentrar renda cada vez mais para os setores médios e para a elite da cidade? O slogan o “O POVO NO PODER” já nasceu mentiroso. Na verdade é o governo dos privilegiados.!!
Não é cruel que a fome e a miséria sejam usadas como marketing dos governantes e da iniciativa privada? O cristianismo não prega que não devemos propagar nossas benfeitorias? Que elas só têm valor e amor se forem feitas no anonimato? O que sua mão direta fez, que a sua esquerda não saiba.
A preocupação com a fome do atual governo se resume ao café da manhã nas escolas com biscoito e suco, com 5.000 quilos de corvina na semana santa e o prefeito aparecer na rádio na condição de cidadão e doar cestas básicas? No circo, leia-se festa do São João, se gasta muito mais que na fome!
Quando qualquer favor ou bem quanto é feito a um indivíduo e não a um grupo, e o benfeitor tem seu nome propagado, a isto se dá-se o nome de POLITICAGEM e não de FILANTROPIA!
PROFESSOR ARI, O ICONOCLASTA(comentários para o Email e Orkut: arivaldodesouzadantas101@gmail.com)

MEU NOME É GAL


Existe no Mercado Municipal desta cidade, um cantinho com o singelo e simples nome de BOX DA GAL. Lá você encontra bom atendimento, boa comida, higiene e principalmente acolhimento e afeto. Alguns clientes possuem preferência de pratos que não são normalmente oferecidos pelo Box, mas sua dona atende gentilmente a estes gostos.
Quando devidamente respeitada, tem toda a paciência para ouvir a todos, como excelente ouvinte que é, mesmo em meio a labuta do seu atendimento diário à sua clientela.
Todos os BOX do Mercado Municipal têm suas clientelas e suas singularidades, porém o BOX DA GAL, para mim é único. Como também únicos, serão outros pontos para outras pessoas. É apenas uma questão de gosto.
O fortalecimento do pensamento científico acerca de quinhentos anos atrás inventou as frases que eram contra o pensamento religioso defendido pela Igreja Católica. Deixamos de ter Deus como centro do universo e inventamos as frases que endeusavam o homem e a razão. São elas: O HOMEM É A MEDIDA DE TODAS AS COISAS e O HOMEM É UM SER RACIONAL. Entramos então na era do domínio da razão como meio de conhecer o mundo e a nós mesmos. Todavia, esta pretensão da razão na verdade só ficou nos “guetos” científicos. O povo iletrado e sem posse continuou usando o sentimento e principalmente a solidariedade como principal meio de comunicação social.
Isto, todos os políticos e religiosos sabem. Basta assistir um discurso político ou um sermão religioso, e lá veremos que a razão não está nenhum pouco presente. O estímulo ao irracional, ao sentimental é o forte destes pregadores políticos e/ou religiosos. Eles sabem que apelando para a fé, para o mistério e para o sentimento, terão sucesso no que melhor fazem que é apenas enganar o povo.
Mas no dia-a-dia das ruas, das favelas e em lugares como o mercado municipal, o afeto e a solidariedade sem interesses estão presentes.
Estão presentes quando vizinhos se juntam para ajudar na construção da casa do outro. Mutirões espontâneos costumeiramente são alimentados com a “sapeca” da carne, com a cerveja e a pinga que animam seus participantes.
A solidariedade e o afeto, também se encontram no BOX DA GAL. Numa relação aparentemente comercial, existem sentimentos como confiança e respeito que acabam por superar a fria e insensível busca sem cessar do lucro.
Como a própria GAL diz quando elogiam a comida que vende: “É SABOROSA PORQUE FAÇO COM AMOR” No tom que dá a sua voz quando diz esta frase vê-se que há uma mistura de alegria e “orgulho”.
Cantinhos como estes existem em muitos lugares em todo o Brasil e em todo o mundo. Espaços em que uma relação direta e franca domina o dia-a-dia. Nesta relação não existem mediações mentirosas da ideologia. Pessoas reais, numa relação real, são felizes. Diferenças sociais, intelectuais e de cor não atrapalham o convívio franco e direto entre as pessoas. É a exata expressão da harmonia oculta que existe no mundo, assim que abandonamos as aparentes desigualdades que a aparência aparentemente nos impõe.
Assim, caros leitores, quando quiserem um cantinho simples, comida popular, uma conversa bem humorada, cerveja gelada e boa companhia, procurem o BOX DA GAL no Mercado Municipal de Esplanada.
Professor Ari, O Iconoclasta (enviar comentários para o Email e Orkut: arivaldo desouzadantas101@gmail.com).

LUÍS INÁCIO, O GETÚLIO VARGAS ÀS AVESSAS

LUIS INÁCIO, O GETÚLIO VARGAS ÀS AVESSAS


A Primeira Guerra Mundial induziu o Brasil à chamada Substituição de Importações, ou seja, com a crise de oferta de produtos industrializados dos países europeus envolvidos na Guerra, internamente de tivemos que desenvolver nossa indústria nacional. Além disso, a fase naquele momento do capitalismo internacional já implicava implantação nos países periféricos, do Terceiro Mundo, de base industriais para aproveitar a mão-de-obra local mais barata, e consequentemente aumentar o próprio mercado consumidor. Esta conjuntura resultou na formação econômica e ideológica do operariado brasileiro. Alicerçados em partidos de inspiração comunista e com sindicatos organizados, e com apoio das classes médias urbanas, tinham grande poder reivindicatório de direitos trabalhistas além de propor alternativas revolucionárias para chegar ao poder.
Coube então, ao líder carismático de origem burguesa o papel de controlar o ímpeto reformador da classe operária e se tornar o “responsável pela concessão de direitos trabalhistas” para as classes populares. Getúlio Vargas cooptou o discurso do respeito aos direitos trabalhistas e através do controle dos sindicatos, atualizou (CLT) as leis trabalhistas e assim se tornou o “pai dos pobres”.
De modo, inverso o líder da elite operária do ABC paulista, Luís Inácio “Lula” da Silva, de origem operária se tornou de sapo barbudo, comunista, vermelho e semi-analfabeto, no “queridinho” da elite empresarial e da classe média brasileira e convive pacificamente, diariamente com os reacionários do congresso nacional. Será que foi mal compreendido em sua proposta inicial ou se apropriou do discurso neoliberal para se tornar eleitoralmente aceito pelas elites? Não é toa que tem como vice-presidente, um dos maiores empresários do país.
Em discurso recente apelou para que os empresários e financistas fossem menos ambiciosos dizendo que nunca antes do seu governo eles tinham ganhado tanto dinheiro. Quanta diferença! De líder orgânico da massa operária, a conselheiro de burgueses, loucos por lucro. Enquanto isso consola a classes populares com bolsa isso e bolsa aquilo.
Depois de ser tornar presidente, instituições acadêmicas do estado burguês não cansam de lhe oferecer título de “Dr Honoris Causis”, algo impensável para estas instituições antes dele tornar o líder do executivo nacional. Ele merece. Mas concordemos quanto puxa-saquismo!
Contribuiu intensamente para o processo de redemocratização do país da partir da década de Setenta, fundou o PT, que por várias vezes, tentou elegê-lo sem sucesso nas eleições presidenciais, além de poucas vitórias nos executivos estaduais e municipais.
Ao longo deste processo, o grupo majoritário petista liderado por ex-exilados, ex-torturados, ex-guerrilheiros, ex-escumbal, fez então uma mudança radical programática e de postura do partido e trocou-se um projeto político-social, por um projeto de poder, de apropriação sistemática do aparelho de estado burguês e da realizações de projetos pessoais de vida, travestidos em discursos demagógicos de projetos coletivos. Assim cabe a pergunta, onde está a educação de qualidade, o estimulo a conscientização e organização das classes populares. Que ligação há entre o PT e as massas?
Assim, tornou-se a mais organizada máquina no mundo moderno, de apropriação do estado burguês, de inspiração operária que o mundo já teve. Basta observar, como o líder carismático Lula, presidente de honra do PT, lida com o FMI, sua preocupação com reserva cambial, o mais absoluto respeito ao Plano Real, cuja maior preocupação é manter a inflação sob controle e só. Sua governabilidade nunca questionada, como flerta através da concessão de cargos e outros privilégios no congresso com os Partidos CONSERVADORES. Na verdade, o Partido dito dos trabalhadores nunca teve ligação com as massas da economia informal e nem tampouco com trabalhadores formais de baixa renda. Sempre representou os interesses da elite operária do estado de maior PIB do Brasil: São Paulo.
PROFESSOR ARI (arivaldodesouzadantas101@gmail)

DONA TEREZA, UMA UNAMINIMADADE INTELIGENTE


DONA TEREZA, UMA UNANIMIDADE INTELIGENTE

A frase “Toda unanimidade é burra” cunhada pelo impagável dramaturgo Nelson Rodrigues é em muitos aspectos verdadeira. Principalmente pelo fato de vivermos num mundo tão cheio de desigualdades, quase sempre vemos com desconfiança qualquer unanimidade proposta. Porém, para toda regra existem as exceções. Dona Tereza é uma delas, é a chamada unanimidade inteligente!
Para explicarmos o porquê disto. Recorramos à história. Todos os grupos humanos em algum momento, movidos pelo trabalho, pela necessidade de sobrevivência, forjaram uma verdadeira revolução cultural. Passaram de simples coletores a agricultores; passaram de simples caçadores a pecuaristas! Neste momento se transformaram de nômades em sedentários e de sociedades em que todos eram iguais em sociedades produtoras de riqueza. A busca da riqueza produzida pela maioria e apropriada por uma minoria de privilegiados, acabou por gerar a divisão destes grupos em classes sociais, que por sua vez, gerou o estado que institucionalizou a exploração do homem sobre o homem.
A busca pela riqueza e a manutenção dela, ora pela força, ora pelo consenso se tornou praticamente o centro da vida de todos em todas as sociedades. Assim, somente uma minoria passou ter pleno acesso, ao conhecimento, ao poder e a riqueza.
Esta hipnose coletiva se entranhou de tal forma no espírito humano que o nosso senso comum até hoje resiste a formas mais fraternais de organização da sociedade.
Os homens que viveram na terra e propuseram a fraternidade, o comunismo espontâneo, quando não foram divinizados, transformados em deuses, foram no mínimo transformados em instituições como igrejas, e passaram a fazer estátuas de Jesus, Buda, Mahavira, Gandhi, Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá, e outros iluminados para nós desconhecidos.
A nossa cidade tem o privilégio de abrigar entre outras boas almas a Grande Alma de D. Tereza que conseguiu se curar desta busca hipnótica e coletiva pela riqueza, a qual justifica o uso da mentira massificada pela mídia falada, escrita e a poderosa mídia da imagem que orgulhosamente colocamos bem diante do sofá das nossas casas e nos comportamos como sonâmbulos fascinados diante dela.
D. Tereza é destas pessoas que diante delas não precisamos ficar na defesa, não precisamos nos humilhar, não precisamos puxar o saco, não precisamos egoisticamente buscar nossos próprios interesses, não precisamos manipular. Simplesmente ficamos em paz e com uma leve euforia, que nos dá a certeza de que vale a pena viver neste mundo. É daquele tipo de pessoa em que podemos repousar a cabeça, descansar e render-se.
É dotada de uma motivação determinada e incansável por ajudar desinteressadamente o próximo, o que simplesmente torna cativante desfrutar de sua doce companhia.
Ela sim faz a verdadeira filantropia! Não existe outra meta em sua existência luminosa senão, o amor fraterno.
Seu trabalho, sua obra cotidiana, lembra o incidente bíblico em que Jesus falando a um grupo de ouvintes sedentos por suas palavras, foi avisado da presença da sua mãe Maria, e da sua intenção de lhe falar. Jesus num gesto até hoje aparentemente grosseiro com a própria mãe disse: “Quem é minha mãe, meu pai e meus irmãos? Meu pai, minha mãe e meus irmãos, são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a PRATICA!”.
Com estas palavras Jesus destrói a ilusão de que somos famílias separadas, o sentido de posse, de domínio de pessoas e coisas, e propõe simplesmente a fraternidade. Até hoje, infelizmente, suas palavras ainda ecoam como uma meta distante.
Ainda bem que existem raras pessoas como D. Tereza que realmente praticam a palavra de Deus e não a usam como instrumento de exploração, como meio de ascensão social, como discurso vazio e enganador do povo, daqueles que “não sabem o que fazem”.
É de se agradecer aqueles que por qualquer motivação, não importa qual seja, ajudem a D. Tereza. Ajudando a D. Tereza, em sua obra, estão realizando a verdadeira filantropia proposta por Jesus.
Amém! D. Tereza por conseguir ser uma UNANIMIDADE INTELIGENTE e obrigado por sua inspiradora existência. Diante de ti, o escritor que vos fala, contém com dificuldade uma lágrima em seus olhos.
PROFESSOR ARI, O ICONOCLASTA (Perdoem-me, mas é simplesmente impossível não referenciar este ícone da fraternidade local).
(enviar comentários para o Email e Orkut: arivaldodesouzadantas101
@gmail.com).