quinta-feira, 25 de abril de 2013

PROSA POÉTICA CIBERNÉTICA



Acho que o espaço do facebook
um quadrado com o nome de status em negrito
e lhe perguntando: o que está pénsando?
Inaugurou uma nova forma de texto.
Não é prosa e nem é poesia
nem na forma e nem no conteúdo
transita à vontade entre os dois gêneros
e não pertence a ambos ao mesmo tempo
a pontuação se torna
a distribuição das frases
Não deve ser um texto longo
pode ser opinativo, descritivo
ou um relato em off de impressões psicológicas
como se fosse o mocinho de um filme noir
Pelo menos é assim que tem sido
o que escrevo
percebo a mudança sutil na minha forma de escrever
é uma sugestão muito forte
quase determinante
podemos batizar de
prosa poética cibernética
é algo novo
imposto pelas redes sociais
acredito que nunca se escreveu tanto
nunca se leu tanto em nosso dia-a-dia
a gente pode não ler os clássicos da literatura
brasileira e mundial
mas com certeza lemos recados,
e-mails e postagens do face e do orkut
só não gosto do internetês
apesar de dar celeridade na comunicação
acaba com a forma e as regras gramaticais
mas temos que seguir com os novos tempos
vamos desnudar o futuro
e a ação é nossa principal ferramenta de vivência
desse futuro
e as redes sociais e suas vantagens e desvantagens
vieram pra ficar
é um fato!
Ari, Ari O Iconoclasta

FOFOQUEIRO É QUEM LEVA


Quem nunca emitiu um juízo de valor?
Quem nunca julgou alguém?
Acho que todos nós.
O tempo todo.
Quem nunca repassou um boato?
Difícil alguém sair dessa estatística
Agora perguntem a mim
quantas vezes fui levar
informações, comentários de uma pessoa para outra?
Sou e fui amigo comum de inimigos mortais
ambos falavam e falam um do outro
e jamais disse o que ouvi de ambos,
a ambos
A coisa mais escrota que existe
é o fofoqueiro
aquele ouve você fazer um comentário
um juízo,
muitas vezes, irresponsável
e o fofoqueiro perversamente vai
contaminar o coração do próximo.
Na verdade o fofoqueiro
não é quem faz o comentário
fofoqueiro é quem gasta tempo e palavras
levando adiante o que ouviu de outrem.
É claro que é imprudente e injusto
fazer comentários e julgamentos sobre o outro
porém, muito mais maldoso é alguém
levar essa informação adiante
Então, que os apressados em julgar como eu
calem a boca
para que alma maldosa do fofoqueiro não se alimente
das nossas insensatas palavras
e faça uso perverso delas.
Ari, Ari O Iconoclasta

OS DONOS DA CIDADE, DAS ESTRADAS E DAS PISTAS


Há muito tempo se denuncia as mortes e acidentes
causados por animais inocentes 
que trafegam livremente pelas estradas desse país?
Bois, cavalos, burros e jegues, todos animais domesticados
portanto, com utilidade econômica e apesar disso,
displicentemente deixados no asfaltos
a causar tragédias diárias pelo Brasil a fora. 
Um gesto apenas, um cuidado cultural
uma preocupação mínima com o animal e com a vida do próximo
resolveria o problema.
O estado não tem como ser onipresente nas estradas
Só pode inibir ou promover campanhas educativas.
Um problema crônico e de difícil resolução.
Em nossa cidade
cavalos, éguas, bois e burros continuam a trafegar impassíveis e indiferentes
ao esforço revitalizador das nossas praças do governo que hora se inicia.
Se alimentam impávidos da grama fresca e recente
devido ao "banho" de chuva que o caprichoso São Pedro tanto retardou.
Esse problema cidadino é bem mais fácil de resolver.
Depois de um aviso bem divulgado ao proprietários de animais
Eles deveriam ser retirados das ruas e praças
Colocados num curral, num cercado
o dono só teria de volta seus animais se pagassem uma multa.
O irônico de tudo isso
é que logo os oposicionistas do governo iriam colocar
na rádio boataria o seguinte dizer:
"É governo de ricos, por isso estão multando os pobres".
Aliás, esse dizer vai ser o contraponto fofoqueiro
a austeridade inicial proposta pelo governo que se inicia.
Mas passado esse período inicial e assim que o governo se flexibilize em suas ações
logo, logo esse boato deve sumir.
É o que espero.
Mas outros logo vão ser "criados" pela imaginação fértil e revanchista
dos opositores derrotados.
Afinal, depois de 12 anos de hegemonia de um grupo político
a oposição chegou ao poder.
Isso deveria causar "choro e ranger de dentes".
Mas esse governo é light, não perseguidor.
Embora eu e muitos não ache
que ter coerência ideológica, seja perseguir ninguém.
Os espaços gerenciais e os bastidores de uma gestão
pertence ao grupo eleito.
Se definir essa situação seja perseguir pessoas
então eu preciso voltar ao dicionário para reaprender o significado
da palavra perseguição.
Depois dessa digressão política
voltemos aos animais.
É preciso investir na divulgação da ação educativa
em mão-de-obra
porque o funcionário que cuida disso sozinho não resolve o problema
e na construção de um curral também vigiado.
Mas creio que nesse momento de austeridade administrativa inicial
isso não possa ser feito.
Lembrando que um governo realmente não pode ser perdulário
como tantos que tivemos em nossa cidade.
Deve ser realmente econômico
mas não econômico a ponto de gerar insatisfações funcionais
e comprometer a opinião pública favorável.
Enquanto isso, animais inocentes pastam por nossa cidade.
antes nossos maiores problemas fossem só esse.
Existem problemas estruturais que precisam ser discutidos, abordados e resolvidos
numa parceria contínua e criativa entre governo e população.
Problemas de segurança pública, do tráfico de drogas, da qualidade da saúde e da educação, além dos problemas estruturais do desemprego e da economia local desaquecida.
ARI, O ICONOCLASTA

O DESTINO DE UMA ADMINISTRAÇÃO



O atual governo de Esplanada 
tem um destino traçado
tem uma conjuntura que o determina
E se ele realmente se destina a ter uma vocação mais longa
Ele não pode ser baseado em obras faraônicas superfaturadas
Tampouco pode usar a indústria da festa, do entretenimento
para acumular vantagens.
Não pode usar a folha de pagamento 
como feitoria politica.
O atual governo de Esplanada
tem que se afirmar administrativamente
vencendo uma subcultura da corrupção
da concentração renda
do esmolelismo assistencialista fundamentado
no beatismo católico artifical e mundano
Os dados políticos e administrativos
lançados na mesa da atual gestão
determina que esse governo
seja um governo popular
criador de emprego
gerador de renda
e prestador de bons serviços públicos
Rodrigo tem que realçar as cores
do seu estilo
da sua proposta
Na verdade o que se prenuncia
é um acirrado confronto eleitoral e de estilos
entre Rodrigo X Aldemir
são as duas peças mais importantes do jogo pollitico
em nossa cidade
E Rodrigo terá mais 7 semestre e 2 meses
para o estabelecimento de uma gestão
de um governo
que se inspire profundamente nos discurso
do Rodrigo candidato
para que o Rodrigo governante
tenha os argumentos eleitorais necessários
para se estabelecer no poder em Esplanada.
Ari, O Iconoclasta

Palavras Póstumas Para Sandro



Todo mundo sabe
mas quase sempre andamos esquecidos
somos mortais
a vida é fugaz
frágil
incerta
a corda esticada da nossa existência pode quebrar a qualquer momento
é como uma música
nasce não se sabe como
tem sua duração
e depois seu fim
ficamos alegres, tristes ou emocionados
diante da música da vida
É muito estranho
ver pessoas que inseridas em nossos sentidos
de repente
não fazerem mais parte do mundo do fenômeno
o mundo da ilusão
de que somos ou temos alguma coisa
o mundo dos significados ilusórios
criados para criar a desigualdade entre os homens
um mundo sem diapasão
desafinado
sem acordes que estimulem o impulso de vida
Você se foi
como uma música que acaba num toque abrupto de uma guitarra
mas seus sons
sua música continuará ecoando
nos espaços cósmicos
em nossos sentimentos
em nossas lembranças
e em nossa vã
e perplexa
consciência.
Ari, O Iconoclasta

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A VIDA É UM ATO FILOSÓFICO


No Mito de Sisifo (1942), Albert Camus
realça o absurdo da existência.
E que a principal questão da filosofia
não é a necessidade da apreensão do real
Se o indivíduo pode chegar a verdade ou não
e sim
Se vale a pena existir nesse mundo ou não
Ele coloca em pauta o suicídio.
Vale a pena viver ou não?
Essa é questão principal da filosofia proposta no Mito de Sísifo
daí pode se derivar, a posteriori, a relação da filosofia com o real.
Algumas jovens moças da cidade
tentaram o suicídio tomando remédios.
É uma característica feminina
a não-violência no gesto de dar fim ao absurdo da existência.
Elas não se atiram, não se jogam em precipícios
Elas se recolhem e em silêncio
atentam contra a própria vida.
Por isso que elas entram em sono profundo
como no conto de fadas
esperam o acordar milagroso num mundo romantizado.
O instinto de vida, eros
nos impele a vida
mas não é pelo prazer em si
é pelo prazer filosofado, subjetivado.
Pessoas que buscam o suicídio
é porque perderam a subjetividade
que justifica e que dá sentido a continuidade da própria vida.
Elas já não conseguem justificar sua própria existência
Já não constroem significados sociais, familiares, afetivos , políticos ou materiais no universo onde se encontram
Então o suicídio aparece como opção
Thanatos, o instinto de morte, vence.
Qualquer um de nós
em algum momento da vida
já passou ou pode passar
por momentos de desencanto, que questionam a validade do próprio existir.
O suicídio é um tema tabu
O animal homem é o único que pode decidir por ele
O suicídio é uma opção da própria consciência
É um momento de autonomia e liberdade
sobre nossa misterioriosa existência.
O suicídio é como uma tatuagem, uma marca
Mas também é uma revolta, uma insatisfação.
Uns chegam a dizer uma covardia.
Ari, Ari O Iconoclasta

domingo, 20 de janeiro de 2013

Amor ´Perplexo

Como a gente se repete
nas palavras
nos gestos
nas atitudes
enfim, um padrão
Ele é nefasto
Por que não conseguimos romper com ele?
Romper com um padrão significa
romper com você
com o costume
com o conhecidoi
como confortável
E eu tenho medo
Medo de mais uma vez
não aguentar ficar longe
Um amor é uma droga
causa dependência
não tem diferença alguma
Você chora
Confunde suas necessidades
de fome, de sede
gera confusão
Mas as vezes
temos que atravessar
essa noite escura da alma
pra que nos libertemos de nós mesmos
Então fantasio ir embora
mas falta coragem
coragem de estar só
sem ilusões românticas
e de pretensas parcerias profundas com o ser amado

Ari, O Iconoclasta