segunda-feira, 20 de junho de 2011

CLIENTELISMO EM ESPLANADA

O clientelismo é a porta da corrupção política e o pai e a mãe das irregularidades e do uso da "máquina administrativa" com finalidades perversas e no final da história os prejudicados são a maioria dos cidadãos e cidadãs que cumprem com seus deveres.
O brasileiro acredita ingenuamente que os "políticos de plantão" resolverão seus problemas, transferindo a eles suas responsabilidades e autoridade. Esquecem que estes, devido ao modo de se fazer política no Brasil, defenderão seus interesses e de seus pares e raramente servirão aos interesses de seus eleitores ou seguirão os princípio e valores de seus partidos.
Clientelismo é a utilização dos órgãos da administração pública com a finalidade de prestar serviços para alguns privilegiados em detrimento da grande maioria da população, através de intermediários, que podem ser afiliados políticos, prefeitos, vereadores, servidores públicos, deputados, secretários, pessoas influentes e pessoas do povo também.
O clientelismo tem a finalidade de amarrar politicamente o beneficiado. Os intermediários de favores prestados às custas dos cofres públicos, são os chamados clientelistas, despachantes de luxo ou traficantes de influências. O grande objetivo dos intermediários é o voto do beneficiado ou dinheiro. ((Fonte: site alertatotal.net)
Anselmo Machado já me alertava para a chamada intextualidade.Existe coisas que são tão bem ditas e verdadeiras que só nos resta fazer referências textuais na íntegra. Esse é o caso. Trazendo o arrazoado acima pra nossa realidade em Esplanada cabe algumas perguntas:
Alguém já ouviu falar de reformas e até construção de casas de particulares utilizando material e mão-de-obra ofertado pela prefeitura?
Alguém já ouviu falar do pagamento de operações que “salvam” vidas por alguma liderança local?
Alguem já ouviu falar na quantidade de cargos comissionados e de confiança que só tem a única função de “comprar” votos de chefes familiares e de chefes políticos?
Alguém já ouviu falar em superfaturamento de obras públicas?
Alguém já ouviu falar em indícios de enriquecimento ilícito?
São essas práticas que nos deixaram presos na disputa eleitoral entre dois chefes políticos locais. Perdemos a perspectivas da esperança de uma administração diferente, nova e melhor. É muito fácil a gente tornar vilão, ora um, ora outro e ficarmos como inocentes úteis. A corrupção, o autoritarismo, a hipocrisia dos políticos, nasce é no seio do povo mesmo.
Não existe uma separação entre eleitor e político. Eles se complementam. São faces da mesma moeda. Nenhum político clientelista se estrutura no poder sozinho. Setores médios e populares são a base da sua existência. Nós, o povo, somos profundamente cúmplices dessas práticas clientelistas.
Ao vermos um benefício imediato não hesitamos em nos render ao clientelismo. Ao sermos beneficiados com uma prática clientelista estamos excluindo o restante da população. Nenhum prática clientelista pode ser pra todos. Sua natureza é excludente. Ela feita para beneficiar alguns.
Uma comentarista do Esplanadanews disse que no jornal online que “tinha muita gente frustrada falando besteira porque não conseguia nada com os políticos”. Existe prova maior do que esta da nossa total despolitização? Notem a subserviência dessa afirmação. Reparem como “ingenuamente ela acredita que os "políticos de plantão" resolverão seus problemas, transferindo a eles suas responsabilidades e autoridade”.
O povo precisa ter consciência que tem em suas mãos o poder de exigir que estado funcione melhor. Não para beneficiar alguns e tornar as outras pessoas disputantes desses privilégios. Mas um estado que se humanize, preste melhores serviços e promova a autonomia e não a dependência dos seus munícipes. Amém.
Ari, O Iconoclasta. Esplanada, 19 de junho de 2011, às 21h30min.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A DEMOCRACIA NAS ESCOLAS

O maior entrave para o aperfeiçoamento da jovem democracia brasileira é a formação cultural e escolar do nosso povo. É verdade que a estrutura de administração do estado brasileiro ainda é muito verticalizada, autoritária e personalista. Mas tudo isso seria minimizado se a sociedade civil posse mais politizada e participativa. Entenda-se aqui, como sociedade civil, não aquelas entidades representativas de classe, de gênero, de raça, etc., mas o cidadão comum que muitas vezes nem é representado por essas organizações.
Se povo não é mais politizado e consciente, é porque a escola pública do jeito que está, é uma produtora institucional de “analfabetos funcionais” que não percebem a importância da informação e do aprendizado da informação no mundo moderno. Têm dificuldades extremas de interpretar um texto, ignoram seus direitos civis e estão envoltos num hedonismo irresponsável onde a sexualidade precoce, músicas que depreciam gêneros e o consumo alienado de mídias digitais é a tônica.
Não interessa a elite governamental a educação pública de qualidade. Os pais dos atuais alunos já são resultados dessa escola. A escola pública pós-redemocratização do país continua sendo uma estrutura criada para formar o exército da mão-de-obra subalterna de ajudantes, pedreiros, motoristas, babás, donas de casa e empregadas domésticas no país afora. Para essa elite, essa mão de obra basta saber ler e escrever. Interpretar jamais!


Um dos caminhos para minimizar esse processo seria a gestão democrática das escolas já prevista na Constituição de 1988 e corroborada pela lei 9394/96, e mais recentemente a Lei 1321/98, chamada de Lei da Gestão Democrática das Escolas.
Em nosso município uma novela se arrasta, ou chamaria de chantagem? Porque só isso pode explicar a promessa e o adiantamento da implantação das eleições diretas para diretores de escola.
Diretoria de Colégio deveria ser cargo de confiança da educação e não cargo de confiança do prefeito. Um caminho que iria contribuir para isso seria a eleição de Diretores pela comunidade escolar: pais, funcionários e alunos. Do jeito que está o Diretor tem preocupação maior em agradar a si mesmo e principalmente a quem lhe deu o cargo, no caso, o prefeito.


Desde o começo da sua administração o Sr. Diolando tem anunciado a implantação das eleições para diretores de colégios. Não o faz por qual razão? O prefeito acena de forma chantagiosa com a eleição para diretoria dos colégios municipais, talvez para que os atuais detentores dos cargos se “comportem” e fiquem mais submissos, ou talvez até para que eles contenham um possível ímpeto de pedir mais privilégios do que o próprio cargo já dá.
Pode-se facilmente deduzir que o prefeito não tem o menor interesse de implantar a eleição direta para diretor de colégio. Cargo de confiança é ferramenta de controle ideológico e de aliciamento de votos da classe média de qualquer cidade nesse país. Não foi à toa a oneração da folha em cerca de 500 mil reais em cargos de confiança e cargos comissionados pela atual gestão do município.
A eleição direta para Diretoria estimularia a participação dos alunos, pais, funcionários e professores na administração do colégio. Essa autonomia do Diretor em relação ao prefeito e, ao mesmo tempo, a necessidade de dar satisfações à comunidade que o elegeu, tornaria o diretor mais empenhado numa gestão escolar realmente mais eficiente e democrática.


Incidentes como o do ex-diretor Anselmo Machado não se repetiriam. Salvo engano, único diretor do atual governo que estimulou e implantou um grêmio estudantil num colégio. Uma gestão democrática que se estendia até para aprendizado da cidadania pelos alunos. O resultado é que foi onerado. Com a eleição direta pelo corpo docente e discente isso não aconteceria.

Ari, O Iconoclasta. Esplanada, 11 de junho de 2011 às 12h51min.

terça-feira, 31 de maio de 2011

ESPLANADA ÀS ESCURAS

Nossa cidade nunca teve uma vida noturna muito agitada. A noite só funciona mesmo os colégios, as casas de culto e alguns poucos bares e barracas abertos até por volta das 10hs. Atualmente nossa vida noturna resume- se ao madrugar da Sorveteria Capricho embalada pelos duelos de som (leia-se: axé music e pagode) das cornetas dos carros dos fregueses.
Mas isso não quer dizer que tenhamos que viver praticamente às escuras! A iluminação da Praça Ladislau Cavalcanti, do Cristo e da própria Prefeitura Nova, é sofrível. O que existe são pontos precariamente iluminados perto dos postes e centenas de espaços escuros junto e entre as árvores, moitas e casas. Ruas inteiras são dominadas pela escuridão cúmplice dos amantes noturnos.
A luz amarelada emitida por essas lâmpadas não realçam a pompa provinciana do Cristo e da Prefeitura, obras que dão tanto orgulho a esse grupo político. O que ela faz é causar insegurança e medo aos transeuntes de sair ou mesmo dar uma caminhada no Calçadão. Afinal, os pontos escuros provocados pela péssima iluminação são verdadeiros convites a embocadas de malfeitores. Não ver isso que não quer.
Talvez conviver pacificamente com essa falta de luz na cidade seja muito simbólico. Talvez estejamos convivendo com outras “faltas” desse grupo político somente por termos nossos interesses imediatos defendidos. Isso vale tanto para povo mais simples como para minoria privilegiada da nossa cidade. Interesse fica aqui entendido, como algo que vai de um pagamento de conta de água ou luz, aluguel de uma casa, locação de veículos a cargos comissionados ou de confiança.
Temos convivido com uma administração abaixo da crítica; com uma câmara de vereadores inapta para sua função; com o mau uso do dinheiro público; com péssimos serviços de saúde e educação, e nos comportando como em relação à sofrível iluminação da nossa cidade. Recolhendo-nos em nossos lares pretensamente seguros. Mas até quando?
Vejam o que diz o site gurupionline.com.br sobre iluminação pública:

A iluminação pública é essencial à qualidade de vida nos centros urbanos, atuando como instrumento de cidadania, permitindo aos habitantes desfrutar, plenamente, do espaço público no período noturno. Isso quando ela existe.
Além de estar diretamente ligada à segurança pública no tráfego, a iluminação pública previne a criminalidade, embeleza as áreas urbanas, destaca e valoriza monumentos, prédios e paisagens, facilita a hierarquia viária, orienta percursos e aproveita melhor as áreas de lazer.
A melhoria da qualidade dos sistemas de iluminação pública traduz-se em melhor imagem da cidade, favorecendo o turismo, o comércio, e o lazer noturno, ampliando a cultura do uso eficiente e racional da energia elétrica, contribuindo, assim, para o desenvolvimento social e econômico da população.

Cabe então a pergunta: nossos governantes aplicam essas orientações? Diante disso é muito irônico a gente ver uma Equipe de Iluminação Pública dando satisfação ao Esplanada News sobre às queixas de falta de EPI (equipamento de proteção individual) dos funcionários da equipe. Quando na verdade o que falta mesmo é iluminação de qualidade em nossa cidade.
É lamentável ver a fácil e constante desconstrução do discurso daqueles que dizem que amam Esplanada no hino municipal. Deixando o objeto do seu amor, no caso, a cidade, totalmente às escuras, privando o prazer do olhar noturno da beleza da nossa cidade tanto para seus moradores como para os seus visitantes.
Ari, O Iconoclasta. Esplanada, 31 de maio de 2011 às 18h00min.

terça-feira, 17 de maio de 2011

PELA PISTA DE SKATE E PELO ABASTECIMENTO D’ÁGUA

A demanda freqüente e espontânea de um espaço para a prática do skate pela população jovem de Esplanada, resultou na indicação da criação de uma pista de skate na Rua do Malombê, sugestão do vereador César Mamão durante uma sessão da câmara de vereadores.
Depois de se manifestarem nas rede sociais através de fóruns e enquetes nas comunidades: ESPLANADA (postado por hemilio kill) e na MUDA ESPLANADA! (postado por Salustiano Costa) finalmente, os jovens obtiveram a atenção necessária de quem detém o poder e os meios de realizar o legitimo e salutar desejo da construção de uma pista de skate em Esplanada.
Está aí, uma forma saudável da população e da Câmara de Vereadores se relacionaram. É legitimo e faz parte do jogo democrático a procura do voto para quem precisa dele para ter um mandato. É dessa sensibilidade que um vereador precisa para ser um bom político e ter a aprovação de uma comunidade. No Brasil infelizmente, os vereadores tornaram-se, em sua maioria, uma extensão do executivo. Os vereadores em vez de controlarem o executivo passaram a ser uma extensão dele, para manter seu eleitorado com pequenos favores como pagamento de recibo de água, de luz, servir de mediadores na prestação de serviços públicos (leia-e saúde, INSS, educação etc.) e obter vantagens pessoais. Virou um jogo entre gato e rato, como bem disse o prefeito Diolando.
De “mamão” o vereador César não teve nada, ao perceber essa ânsia legítima dos jovens e captar para si com justeza a primeira indicação parlamentar da criação de uma pista do esporte radical que tem mais crescido no Brasil. A juventude esplanadense não ficou fora dessa onda esportiva que veio para ficar, tampouco o vereador César Mamão.
Aproveitando a oportunidade gostaria de lembrar ao vereador César Mamão e a Câmara de Vereadores que usassem de sensibilidade política em relação ao precário abastecimento da água feito pela EMBASA em Esplanada. É insuportável a vida de quem precisa que a EMBASA forneça água todo o dia. Porque está escrito no DECRETO Nº 3.060 de 29 de abril de 1994: Compete a EMBASA efetuar o abastecimento de água e esgotamento sanitário de forma contínua e permanente, salvo as interrupções para manutenção, caso fortuito ou força maior.
Não está escrito que temos que ter um reservatório de 30 mil litros de água para amenizar a falta de competência da EMBASA para nos fornecer água de forma digna. Se a elite social de Esplanada pode fazer esse reservatório, então está sendo digno para ela, não para o restante da população.
Não está escrito também que temos que ter uma população apática e covarde que sofre com isso calada, com medo não se sabe de quê. Nem tampouco que temos que ter uma classe política e uma elite social tão indiferente as necessidades do povo, a não ser quando querem enfiar um candidato da sua conveniência goela adentro do pobre e incauto eleitorado esplanadense.
Ari, O Iconoclasta, Esplanada, 16 de maio de 2011 às 05h9min.

DEUS: SUBSTANTIVO CONCRETO

Não é só a gramática que afirma que Deus é substantivo concreto. Nada no mundo tem mais materialidade e concretude do que a crença em Deus. Mesmo o Apóstolo João afirmando em (Jo 1:18) que “Ninguém jamais viu a Deus”, Deus teimou em se materializar na pujança milenar da Igreja Católica e nas centenas de denominações ditas evangélicas que se espalharam mundo afora. Não esquecendo da religiosidade oriental em muitos aspectos bem mais acabada que o simplificado maniqueísmo da luta entre o bem e o mal que o cristianismo ocidental nos impõs.
Os milagres da ciência médica que dobraram o tempo de vida da humanidade; a evolução tecnológica que nos faz atravessar o planeta em naves tonitruantes e outros tantos milagres do pensamento metódico e racional, se incorporaram como naturais ao nosso cotidiano. Em compensação os milagres da fé continuam mantendo o seu fascínio primitivo.
A quantidade de maravilhas da fé anunciados pelas religiões cristãs não conseguem vulgarizar o milagre, tampouco a crença em Deus. Do jeito que vai, o SUS (Sistema Único de Saúde) vai entrar em parceria com as religiões cristãs e acabar com o déficit na Previdência. A quantidade de pessoas que são curadas de tudo quanto é tipo de doença nos púlpitos de templos cristãos, não está no gibi!
Durante os últimos 30 anos as igrejas evangélicas tem crescido pelo menos 2 vezes mais rapidamente do que a população. Se somarmos a isso a proliferação do pensamento religioso oriental através das religiões de de práticas médicas alternativas, podemos deduzir que o pensamento irracional, baseado na fé num Deus jamais visto, só fez crescer.
Parece que temos uma necessidade atávica, primária de acreditarmos em alguma coisa além de nós mesmos. Parece que a ciência só satisfaz as necessidades do corpo e não as necessidades da alma humana. Daí é instigante a gente ver nascer, diante do shoping Iguatemi - templo do consumo do capitalismo - um templo dedicado a Deus,, pomposo e triunfante, num dos metros quadrados mais caros de Salvador.
Deus é concreto porque nós o transformamos numa instituição. Reis, rainhas, estados nacionais modernos e nações imperialistas contemporâneas, usaram e usam o seu santo nome em vão. Está escrito em Filipenses 1:07: “Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”. Pois, eu me importo! Causa-me profunda indignação ver tanta pessoas e instituições iníquas usando o nome de Deus para explorar pessoa simplórias e com issoo obterem vantagens materiais. Acreditem, não são só as autoridades temporais que maculam o nome de Deus. As religiosas o fazem com maior intensidade e vileza.
Deus para ser concreto em nossa vidas não precisa estar concretado em ferro, cimento e tijolo em Cristos Rendentores Provincianos, nem tampouco em catedrais pomposas que mais parecem museus. Talvez exista uma concretude divina que não habite as cores vivas das vestes dos cardeais e nem tampouco habite o espetáculo miraculoso da fé filmada em cultos evangélicos. Talvez longe desses ritos possamos nos encontrar e nos apaixonar de forma íntima e única com o mistério da existência. E para isso não precisamos de mediador nem concreto nenhum em nome de Deus.
Ari, O Iconoclasta. Salvador, 14 de maio de 2011, às 04h15min.

domingo, 20 de março de 2011

QUE OBRA DE ARTE É O HOMEM!

Vivemos o momento histórico mais difícil do homem. A principal razão disso é que com a alta tecnologia criada pelo modo de produzir capitalista, as ações humanas têm intensas repercussões físicas e sociais sobre toda a nossa aldeia global.
Aliado, a isso, movimentos sísmicos, tsunamis, alterações climáticas e enchentes, provocam catástrofes em lugares habitados que nos atinge em cheio e nos comove, fazendo com que nos mobilizemos para ajudar. Porque com nossa capacidade de comunicação vivemos os dramas de países do outro lado do mundo praticamente em tempo real. Celulares de pessoas comuns nos dão imagens ao vivo. Não é necessário um jornalista estar in loco para registrar e noticiar tragédias.
Por outro lado, a sociedade moderna que produzimos propôs um modelo que nos faz viver em grandes cidades. Cidades estas que trazem problemas estruturais de segurança, de moradia, de trânsito, de falta de emprego etc. Porque o estado não consegue gastar de maneira justa e sensata o dinheiro público.
Mesmo com toda ciência, mesmo com afirmação Iluminista no século XVII que o “homem é a medida de todas as coisas”, continuamos a atribuir a forças não humanas malignas ou não, todos os males da natureza ou os produzidos por nós mesmos vivendo em sociedade.
Não obstante, eu convido o leitor a refletir. Quando a natureza se manifesta em movimentos sísmicos intensos que resultam em tsunamis arrasadores como o que aconteceu no Japão, a natureza está sendo má? Creio que não. A natureza não é boa, nem má. Ela apenas é. É subordinada a leis físicas e químicas que têm sua própria dinâmica e vez ou outra se manifesta de forma a provocar tragédias. Mas quando faz isso, a natureza, não o faz de forma intencional. A natureza não tem vontade e nem dá significado e valores as coisas. Só o homem é capaz de disso, porque possui consciência. Portanto, o que se pode deduzir é que a natureza está sujeita a leis, a comportamentos, ora previsíveis, ora não, pelas ciências que a estudam.
Da mesma forma, a miséria social da maior parte da população mundial e que não tem acesso a saúde, a educação, enfim, a condições dignas de vida, principalmente nos países da Ásia, África e América do Sul, não é fruto da maldade de alguém ou de alguma entidade humana ou divina.
Como a natureza, também a sociedade está sujeita a leis. Leis históricas que têm sua origem nas relações sociais que estabelecemos para produzir nossa subsistência, através de mercadorias e serviços que irão nos vestir, nos calçar, nos dar a moradia e satisfazer outras tantas necessidades humanas imprescindíveis para vivermos em sociedade.
Então, sabendo disso, por que continuamos a achar que existem forças que não dominamos, e que essas forças nos causam esses males? O mundo, caro leitor, é uma produção humana, através do livre arbítrio, e nessa condição, somente a mesma ação que criou esse mundo tal como ele é. É que pode melhorá-lo.
Diante disse, vamos confiar na engenhosidade humana e na sua capacidade de resolver os problemas que criamos. Não vamos esperar que forças divinas nos socorram; Não vamos ficar como meros peões no jogo de xadrez cósmico entre Deus e o Diabo; Não vamos nos contentar com as trevas modernas criadas pelas visões de mundo católica e evangélica; Não vamos nos entregar a um fatalismo apocalíptico de começo de século; Não vamos ficar perplexos e distraídos com as previsões dos Maias. Porque enquanto ficamos fascinados e distraídos com teorias fantásticas de fim de mundo, eles conspiram para continuar mentindo e nos dominando..
Precisamos resgatar os valores Iluministas e colocar o homem no centro do mundo. Mas não basta só isso. Temos que resgatar nossa comunidade/humanidade e acreditar que podemos viver num mundo fraternal. Não precisamos de líderes religiosos ou políticos para fazer isso. Não precisamos nem mesmo das instituições que criamos como estado e igreja. Afinal, o que são as instituições senão pessoas agindo e a elas representando? Olhe no que deu! Precisamos sim, lembrarmos que o outro não é um estranho. É o nosso irmão.
Os discípulos abordaram Jesus, quando ele estava pregando o Evangelho para várias pessoas, para dizer que Maria, sua mãe, preocupada, o procurava ao que ele respondeu: “Quem é meu pai, minha mãe e meus irmãos? É aquele que ouve a Palavra de Deus e a cumpre!” Que Palavra, que Verbo divino é esse que Jesus menciona? É simplesmente o amor. Portanto, resgatando nossa humanidade com certeza vamos gerar um mundo melhor.
Ari, O Iconoclasta. Esplanada, domingo, 20 de março de 2011, às 15hs14min.

quinta-feira, 3 de março de 2011

JORNADA DE TRABALHO DE 8 OU 6 HORAS? EIS A QUESTÃO!

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou um estudo intitulado “Indicadores chaves do mercado de trabalho”. Segundo esta pesquisa, embora a jornada de trabalho tenha sido reduzida nas últimas décadas em vários países, a produtividade mundial só aumentou no período. O mesmo estudo comprovou que a produtividade do trabalhador brasileiro está entre as menores do mundo, mais especificamente, na 44º colocação, dos 69 países pesquisados. Em contrapartida, a produtividade dos trabalhadores de países com jornada de trabalho inferior a 40 (quarenta) horas semanais, alcançou uma ótima colocação no ranking.
Quem imagina que quanto maior a jornada de trabalho maior vai ser a produtividade, equivoca-se. Na realidade, de acordo com o mencionado estudo da OIT, o que se viu foi justamente o contrário! As empresas aumentaram sua produtividade e seus lucros. Como se explica isso? Fácil: houve redução de doenças/ausências/acidentes de trabalho, inibiram-se os fatores de dispersão no trabalho, aumentou o nível de concentração nas tarefas, cresceu o índice de satisfação do trabalhador, melhorou o nível de organização do trabalho. (...) todos os indicadores de produtividade melhoraram após a adoção daquela jornada de trabalho, que se revela triplamente benéfica, pois:
1) Beneficia o servidor, que tem mais qualidade de vida e mais tempo para a qualificação pessoal e o convívio com a família, reduzindo-se as doenças relacionadas ao trabalho; 2) Beneficia o usuário do serviço público, já que há acréscimo de eficiência no desempenho do servidor; 3) Beneficia o órgão público, melhorando os seus indicadores de produtividade e eficiência.
A jornada reduzida e contínua tem o mérito de fazer confluir os interesses, tanto dos trabalhadores, como da própria Administração: no caso dos servidores, pelo tempo livre de que poderão usufruir, utilizando-o para sua capacitação e crescimento profissionais, lazer, cultura, e convívio familiar. No caso da Administração, porque contará com servidores mais produtivos porque mais saudáveis (mental e fisicamente), com maior capacidade de concentração no cumprimento de suas funções e mais eficiência. (Fonte: astajpb@gmail.com).
Certamente o governo de Esplanada não fez nenhum tipo de pesquisa para ver os benefícios historicamente detectados através da adoção da jornada contínua de 06 horas de trabalho. Em vez disso nos impôs uma jornada de 8 horas com intervalos de 2 horas em horários inconvenientes para quem estuda, viaja, cuida de um ente da família ou simplesmente, tem mais tempo para o convívio familiar. Algo tão raro nos tempos modernos.
A imposição não negociada como SINDSERME da jornada de 8 horas é uma medida inconveniente, antipática, politicamente incorreta de um governante autoritário, acostumado, certamente, a ter esse comportamento com seus funcionários nos tempos da sua fabriqueta de móveis e estofados.
Costumo dizer que esse grupo, tem nesse governo, a plataforma política para a volta triunfal do Beato-Mor. Cada vez mais me convenço disso. Desagradar um tão grande número de eleitores não é atitude de um político nato. Isso deve ter uma intenção espúria. Esse governo tem a função proposital de gerar saudades do arquiteto desse grupo político que já nos domina há uns 10 anos. Não vai me surpreender em nada o Beato-Mor gritar aos quatro ventos durante a campanha o retorno da jornada de 06 horas. Igualzinho como o prefeito atual fez na última eleição em relação ao Adicional Noturno dos Guardas-Municipais!
Não é passando mais tempo no trabalho durante a jornada de 8 horas que o governo vai ter funcionários mais assíduos e mais eficazes no desenvolvimento das suas atividades. Pelo contrário. O que a Prefeitura Municipal de Esplanada precisa é detectar as necessidades de mão-de-obra específicas para cada setor. Por exemplo, há uma demanda clara de Técnicos em Segurança do Trabalho. Afinal, tivemos duas mortes desnecessárias motivadas pela ausência de um profissional da área de segurança do trabalho que permitisse ver o iminente perigo de acidente na morte do operador de máquina na obra de acesso a Esplanada na BR 101, e na morte de uma moradora do Condomínio Canto dos Pássaros, (ou é melhor chamar de Cidade de Deus?), devido ao desmonoramento da tampa de uma fossa construída pela Prefeitura. Tampas de fossas que são verdadeiras armadilhas feitas sem base de alvenaria e divididas em duas partes unidas com cimento.
Essa tentativa desastrosa de “mostrar serviço”, deve ser pela culpa política e social do prefeito atual de ter onerado a folha de pagamento da prefeitura em pelo menos 350 mil reais com cargos de confiança e cargos comissionados para manter a máquina eleitoreira e a concentração de renda tão intensa promovida pelo grupo político, ora no poder, o qual o usou o slogan de campanha profundamente demagógico intitulado: O POVO NO PODER.
Ari, O Iconoclasta. Esplanada, 03 de março de 2011, às 19h31min. Leia esse e outros textos no blog arioiconoclasta.blogspot.com/ e acesse e vote nas enquetes da comunidade MUDA ESPLANADA!